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13 maio, 2010

HoMeM por MuLhEr

Hoje não sou mais o menino
raquítico que conheceu.
...sou homem...
Agora trago verdade que EU
mesmo estabeleci.
Um dia trouxe desigualdade...
hoje gosto de ROSA.
Mas um dia já gostei do VERMELHO.
Já me considerei um ser
não preconceituoso.
Pois, hoje... EU me aceito!
Sou um ser humano...
que gosta de justiça [que essa seja feita]
com muita serenidade.
Gosto de flores, mas, quem não gosta?
... ROSAS, VERMELHAS, AMARELAS ...
são tão delicadas e originais.
A sua essência faz lembrar-me
quem sou – pra onde devo ir
e para onde sei que vou...
pois, sou homem!...

E tu, ontem tão distante
dos pensamentos de ser mãe.
Hoje sabes quem és.
... mulher ...
Que traz nos punhos as vontades
de vencer, sabendo-se que tudo isso
depende apenas de um único ser [você].
Julgadas por muitos, principalmente por
quem estima – chamando de futuro
um som gostoso de uma rima...
mas sabes o que queres,
o que mais importa?
... mulher ...
mãe da emancipação social,
comparada como flor
com perfume sem igual.
Distintas de tantas semelhantes
faz a profunda análise dos seus
amantes.
Tua carência a Deus rogou...
com formosura sabes
onde buscar o teu amor.
... mulher ...
igual a ti tem outras mil,
mas para seu amado
és a mais perfeita que já existiu.


Luana Marques
Jones Moreira

20 abril, 2010

Igbó-Ikú



Vai-se mais uma vez o fruto
as Terras proibidas de Ikú,
que por vez esquece as obrigações
e o leva contigo...
Leve dor de perda,
pesa o ar do sentir.
Adentra a mata fúnebre
como quem desconhece os segredos
da vida a seguir.
Hemorragicamente – sangra,
trama, drama...
sensações de nunca mais rever.
Entre as entranhas escorre,
percorre o líquido protetor da vida
embrionária (líquido amniótico)
certeza do "rebentar as águas"
corrente vibratoria do incio ao fim.
Querer sempre necessário e presente,
mas daqui pra frente o que mais há de vim?


Jones Moreira

Dentro de mim ... em silêncio!

Medo, arremedos...
Palavras cruzadas na escuridão
Da voz sucumbida de incertezas...
Digo sim, quando o não rejeita
a precisão;
Digo não, quando já não tenho
mais o que negar.
Sim... não...
Confuso, com tudo
Parto para o movimento
Das ruas conturbadas.
Movimentar...
caminhar...
andar...
tudo e todos
sentidos semelhantes
a inúmeras probabilidades
da incerteza que causa
o mesmo ser, o medo de ser.
Pare – escuto o grito
da consciência
Consistência de não ver
o não visto,
dito pelo escrito
do mundo de querer...
ser... ter...
de não poder, obter
o fato analítico – equanimente
preciso... previsto de não ser
o que foi descrito...
não... sim...
Pare o mundo
dentro de mim...


Jones Moreira

O poço e a pedra

Um monge peregrino caminhava por uma estrada quando, do meio da relva alta, surgiu um homem jovem de grande estatura e com olhos muito tristes.
Assustado com aquele aparecimento inesperado, o monge parou e perguntou se poderia fazer algo por ele.
O homem abaixou os olhos e murmurou envergonhado:

"sou um criminoso, um ladrão. Perdi o afeto de meus pais e dos meus amigos. Como quem afunda na lama, tenho praticado crime após crime. Tenho medo do futuro e não sinto sossego por nenhum instante. Vejo que o senhor é um monge, livre-me então desse sofrimento, dessa angústia!"- pediu ajoelhando-se.

O monge, que ouvira tudo em silêncio, fitou os olhos daquele homem e alguns instantes depois disse: "estou com muita sede. Há alguma fonte por aqui?"

Com expressão de surpresa pela repentina pergunta, o jovem respondeu: "sim, há um poço logo ali, porém nele não há roldana, nem balde. Tenho aqui, no entanto, uma corda que posso amarrar na sua cintura e descê-lo para dentro do poço. O senhor poderá tomar água até se saciar. Quando estiver satisfeito, avise-me que eu o puxarei para cima."

O monge sorrindo aceitou a idéia e logo em seguida encontrava-se dentro do poço.
Pouco depois, veio a voz do monge: "pode puxar!"
O homem deu um puxão na corda empregando grande força, mas nada do monge subir.
Era estranho, pois parecia que a corda estava mais pesada agora do que no início,
depois de inúteis tentativas para fazer com que o monge subisse, o homem esticou o pescoço pela borda, observou a semi-escuridão do interior do poço para ver o que se passava lá no fundo.

Qual não foi sua surpresa ao ver o monge firmemente agarrado a uma grande pedra que havia na lateral.
Por um momento ficou mudo de espanto, para logo em seguida gritar zangado: "hei, que é isso? O que faz o senhor aí? Pare já com essa brincadeira boba! Está escurecendo, logo será noite. Vamos, largue essa rocha para que eu possa içá-lo."

De lá de dentro o monge pediu calma ao rapaz, explicando:

"Você é grande e forte, mas mesmo com toda essa força não consegue me puxar se eu ficar assim agarrado a esta pedra. É exatamente isso que está acontecendo com você. Você se considera um criminoso, um ladrão, uma pessoa que não merece o amor e o afeto de ninguém. Encontra-se firmemente agarrado a essas idéias. Desse jeito, mesmo que eu ou qualquer outra pessoa faça grande esforço para reerguê-lo, não vai adiantar nada."

"Tudo depende de você. Somente você pode resolver se vai continuar agarrado ou se vai se soltar. Se quer realmente mudar, é necessário que se desprenda dessas idéias negativas que o vêm mantendo no fundo do poço."

"Desprenda-se e liberte-se."

AUTOR DESCONHECIDO

06 abril, 2010

Ao meu Poeta [Castro Alves]

Poeta ...
porque tu andas na Praça?
Desce, vem falar comigo ...
porque tu não respondes meu pedido?
Esconde-se por detrás dessa face
sisuda e segura ...
estende a mão, como quem quer
apanhar o “SOL com as próprias MÃOS”
e não aponta para nenhuma direção ...
dizem que a praça é sua,
a rua, avenida ... à cidade onde nascerá
... CURRALINHO ...
Ensina-me de mansinho a poetizar ...
Haverei de ser igual a ti ...
Poeta ...
Como se faz ...
um Poeta?


Jones Moreira